Jonathan Hannay, Secretário Geral da Associação de Apoio à Criança em Risco – ACER (www.acerbrasil.org.br) e participante do PROFIDES II (em Pernambuco, 2007-2008), escreve sobre a experiência de montar uma rede de atenção à criança e ao adolescente na região sul de Diadema. A experiência, ainda em curso, é relatada em detalhes, especialmente em termos de gestão: como é, gerencialmente falando, criar uma rede para o trabalho de desenvolvimento comunitário? Abaixo, trechos do que Jonathan conta:
Na segunda semana de maio, o dia tão esperado por Carolina, Inês Maria e eu, chegou. A cozinheira da Comunidade Inamar tinha se superado e havia uma mesa cheia de bolos, biscoitos e tortas com café e sucos de laranja e goiaba. Umas trinta cadeiras estavam organizadas no auditório em forma de circulo e a cena estava pronta para os atores contracenarem. Após meia hora, só havia oito pessoas! Decidimos começar mesmo assim e juntos fomos apresentando a história da RECAD e o que motivou a gente a articular esta reunião. Depois abrimos para cada pessoa se apresentar e falar para os outros sobre o trabalho que desenvolvia. Para quem estava, foram muitas descobertas: a assistente social do posto de saúde que trabalha no bairro há mais de dez anos demonstrou surpresa em saber dos trabalhos que existiam e mais ainda que as organizações estivessem de portas abertas para receber encaminhamentos dela; quem estava tomando notas assiduamente sobre tudo que os outros falavam parecia ter a intenção de usar as informações.
Fizemos uma roda de conversa no final para sentir dos participantes, o que achavam desta iniciativa e também se devíamos insistir na tentativa de estabelecer este fórum RECAD Sul. Para nós três, a decepção e as dúvidas sobre a viabilidade de articular este mini-rede estava aparente na baixíssima adesão nesta primeira reunião. Quem estava presente se dizia muito satisfeito com o convite e com a possibilidade de encontrar colegas de luta e manifestava o desejo de continuar se encontrando mensalmente. Depois que as outras pessoas tinham saído, Carolina, Inês Maria e eu sentamos para avaliar a reunião. Mesmo com a resposta positiva de dar continuidade ao processo, todos nós sentimos muita decepção diante da distância entre a nossa expectativa de participação e a real participação – todos nós tínhamos investido muito para que a reunião acontecesse. Mas não adiantava ficar nos lamentando e passamos a analisar um pouco o que achávamos que tinha dado errado. Com isso veio a percepção de que estes processos são lentos e muitas vezes vagarosos, sendo que dificilmente no inicio da caminhada temos claro até onde o trilho vai nos levar.
Baixe o artigo completo abaixo. Tem uma experiência parecida? Está tentando ou já implementou uma rede para o desenvolvimento local? Compartilhe suas idéias aqui: comente no box abaixo!
Comentários
Enviar novo comentário