Participação*Juventude*Democracia: nossos fantasmas e desafios

Tomo a liberdade de abrir o espaço do Blog para relatar pedacinhos das minhas impressões e decorrentes reflexões a partir da minha participação na Conferência Livre de Juventude que discutiu políticas de Medidas Sócio-Educativas, em março último na bela cidade de Mococa. Vamos tocar essa conversa...

Tive uma experiência muito alegra naquele dia, apesar dessas atividades sempre despertarem angústias em mim.

Apesar de ter me preparado minimamente para coordenar um Grupo de Trabalho de PSC, um dos grupos de discussão da conferência que ocorreram no período da tarde, me deparei com uma situação difícil.

O público da Conferência era de adolescentes e profissionais (adultos) na área. Estavam na minha sala 8 adolescentes (de 12 a 15 anos) que nem sabiam o que estavam fazendo lá! Não sabiam bem o que era a Conferência e nem Medida Sócio-Educativa.

Eles eram incrivelmente novos. Mas novos mesmo; novos da vida. Sabe aquela alegria no olhar?! Uma ansiedade de falar, de ficar quieto, de levantar, de ficar sentado; tudo ao mesmo tempo. [Será que faz tanto tempo que eu também era assim?! Fui assim? Por que não sou mais assim?]

Não foi fácil facilitar a conversa entre o grupo e alguns momentos tinha que realmente pedir silêncio de uns e outros e ficar estimulando a participação de outros. Normal. [Ah...que falta me faz mais habilidades de facilitação.] Quando voltei do almoço, um pouco receosa pensando: “será que eles vão conseguir colocar alguma coisa no papel e apresentar?”; para minha surpresa eles já tinham preparado o cartaz e decidido quem iria apresentar.

 A gente vai ficando exigente demais...Só depois me dei conta do quanto eles tinham se empenhado na conversa e na produção do cartaz, foi o tanto que eles davam conta.

Minha expectativa inicial era discutir a conjuntura nacional das políticas de infância e juventude, mas hoje estou muito satisfeita em ter conseguido pensar com 8 adolescentes (alguns bem crianças ainda) algumas atividades mais interessantes para a PSC, mesmo com pouca profundidade.

 Deixei que eles apresentassem nas palavras deles. Resisti. Não substitui o vocabulário juvenil e desleixado por um discurso politicamente correto. Cada um terá seu tempo de descobrir e optar o discurso que vai querer adotar para a vida.

 Na avaliação final do grupo, poucos realmente falaram o que pensavam para além do “foi bom”, “foi legal”. Mas uma menina linda me disse “aqui pelo menos me perguntaram o que eu achava e esperaram eu responder. No outro evento que fui só falavam e nunca queriam me ouvir, saber o que eu pensava.”.

Pronto. Mais nada. A democracia, os espaços democráticos são ótimos, mas nunca ninguém falou que são fáceis, simples e sem conflitos. E assim foi.

Quando estudamos democracia em todas suas formas, as coisas parecem desafiadoras, “pero no mucho”. A prática sim nos é cruel e revela nossos fantasmas autoritários e centralizadores.

Nossas almas adultas dificilmente aceitam a anarquia adolescêntica.

Não aceitamos; nós negamos e a combatemos. Por vezes passando por cima como tratores, ora tratando-os (seres idênticos e em alguns aspectos superiores) como seres de outro planeta [“mas o que essa geração quer da vida? A gente precisa colocar alguma coisa nessa cabecinha!”...repetimos]. Mas sempre oprimindo como podemos.

Quando espontâneos, são maravilhosamente subversivos! Nós não agüentamos o diferente [ou será que somos iguais e nossa angústia está no espelho e no fato de não podermos deixar as máscaras e sermos nós mesmos?]

Será que temos medo do que o novo pode nos oferecer?

Comentários

Siglas!!

Olá Letícia,
Explica melhor o que são os EMAs e ERAs. Quando acontecem? Quem organiza? COmo são divulgados? Quem participa?

Beijo!

Olá sou Rodrigo Correia,

Olá sou Rodrigo Correia, presidente do Movimento de Adolescentes do Brasil - MAB.
Respondendo as siglas, os EMAs - Encontro Municipal de Adolescentes, são encontros realizados, na sua grande maioria, pelos grupos/instituições filiadas ao MAB, uma vez que essa sigla tem origem dentro das ações desenvolvidas pelo MAB. Os EMAs são encontros de um dia ou mais, que tem o objetivo de reunir adolescentes, jovens e adultos (educadores/as, profissionais...), para discutir um ou mais temas, trocar experiências, vivenciar oficinas e espaços educativos, além de atividades de integração e descontração. Dentro do MAB, temos vários grupos que desenvolvem os EMAs em suas cidades, já que essa é outra característica dos EMAs, ser um encontro do município / cidade.

Os ERAs - Encontros Regionais de Adolescentes, assim como os EPAs - Encontro Paulista ou Potiguar (Rio Grande do Norte) de Adolescentes, são encontros de dois ou mais dias, com o uso basicamente das mesmas atividades e metodologias usadas nos EMAs, porém com uma dimensão maior de participação de grupos, ou seja, o EPA tem como um de seus objetivos reunir os diversos grupos/instituições filiadas ao MAB ou convidadas que tenham atuação dentro do Estado de São Paulo, assim como os ERAs tem o objetivo de reunir os grupos/instituições de uma determinada região, como por exemplo o Sudeste. Tanto os EPAs como os ERAs, também são organizados e realizados por um ou mais grupo/instituição filiada ao MAB.

Todos esses eventos realizados pelo MAB (EMAs, EPAs, ERAs e o ENA - Encontro Nacional de Adolescentes), tem sua divulgação feita pelos organizadores e também se concentra no site do MAB – www.redemab.org.br fica o convite a todos/as para conhecer e desde já participar dos próximos eventos.

Espero ter contribuído, seguimos...

Abraços,
Rodrigo Correia

Ema e ERA em Minas Gerais

Oi Lê,
Priscila faz parte do PEAS VALE que é um dos projetos financiado pela VALE.
Desde a sua formação o PEAS - Programa Educacional Afetivo Sexual estava voltado para a realização de oficinas que abordassem saúde e sexualidade.
A partir do ano passado, fomos convidados a trabalhar com participação social, políticas públicas e cidadania. Estimulamos os municípios a realizarem EMAs sendo que alguns já realizavam estes encontros há algum tempo. Eu fiz parte da equipe juntamente com a Mandinha de Mococa, Ricardo, Virgílio e Rodrigo de Campinas, Cláudia de Lavras, André de Natal, Teresa, Binho, Hélio Natália, Leonel, Julio ambos de Rio Claro. Nós facilitamos estes espaços que a Piscila comenta.
O mais lindo de tudo é que estas experiências de participação, realização de encontros e mobilização dos municípios está sendo registrado e até junho a publicação deve ficar pronta.
A Vale agora está com o Vale Juventude e focando a participação social... Dá uma olhada no site: www.voluntariosvale.org.br.
A Vale estará conosco no ENA com participantes dos municipios que ela abrange. É isso....
Bjim
Ieda

Trocando experiências

Olá Renata,
Tudo bom com você?
Primeiramente quero lhe dizer que a Ieda divulgou o seu blog, só que como estou um pouco atarefada com tudo, só hoje consegui pensar e escrever algo....
Lendo as suas observações sobre a nossa conferência, e sobre seus comentários quantos aos adolescentes "nem mesmos saberem o que iria ser discutido ali." Posso lhe dizer uma coisa, eu participei de várias conferência:Sumaré, Mococa, reginal Campisa e Estadual de São Paulo, e nessa outras também tinham pessoas que também não sabiam o que iria fazer e até mesmo defender propostas.
Nas conferências Regional e Estadual tinham adultos que não acareditavam que os adolescentes podem ser protagonistas dentro de suas cidades.
Na Estadual queria muito fazer com que uma adulta enetendesse que nós adolescentes e jovens podemos ser agentes de ação, pois para mim precisavamos colocar uma proposta em que esses tivessem espaço dentro dos departamentos e assim desenvolver outras propostas que não era só a minha opinião, mais de alguns outros e poucos adolescentes e jovens, que estavam naquele espaço defendo as propostas.
Um garoto me disse : "Parece que só nós estamos entendo o que queremos aqui."
Da mesma forma que você teve dificuldade em passar o seu gt para os participantes daqui, eu lá tentei mas foi dificil "enfiar" na cabeça dela que nós podemos atuar na nossa cidade.
E mais nessas conferências tinham adolescentes que estavam tentando comprar o votos para a Nacional com objetos tipo sacolas e etc...Afinal, esses queriam ir para conhecer Brasilia, e alguns acabaram indo.
Qual é a democracia que queremos? até onde vamos ver adolescentes que não sabem aproveitar o espaço que tem? ( como você mesma disse quando cheguei do almoço eles estavam com o cartaz pronto para apresentar).
Bem é isso ....
É muito bom ter esse espaço para trocarmos esperiências...
Bjs
Dani Massaro
Mococa

Trocando em miudos..

Olá Dani Massaro,

Quando disse que "eles não sabiam o que estavam fazendo lá", não é questão de saber o que é certo ou errado. Eles não sabiam qual era a diferença de estarem na conferência e em uma atividade do projeto que faziam parte. E isso pra mim foi constrangedor. Fiquei numa posição bem desconfortável.
O que digo com isso é que a organização do envento não propiciou um bom espaço de diálogo com os adolescentes antes dos GTs. Exatamente pra ninguém querer ou poder enfiar coisas na cabeça dos adolescentes é que precisamos de bons espaços de diálogo para que os adolescentes possam formar suas próprias opiniões sobre os temas debatidos. Palestras, no formato chato adulto, como tivemos em Mococa (da qual fui conivene, confesso), não é um espaço (na minha humilde opinião) adequado para compartilhar informações com aquele publico.

A forma de se apresentar conteúdo (que alimentem discussões e propostas) pode ser opressora; pode intimidar e afastar.

Para aproveitar espaços como os GTs, que são bastante adequados para aprofundar temas, é interesante os participantes estejam um pouco mais aquecidos, sejam eles adolescentes ou adultos.

Ieda, tem razão quanto às reflexões sobre o estágio de cada um. (na resposta ao seu comentário-abaixo) Aguns podem partir direto para discussões mais apuradas e construir propotas consistentes, outros precisarão ainda de um aquecimento (seja homem, mulher, adolesc., adulto, rico, probre...)

Exatamente por acreditar no potencial transformador e criativo dos meninos e meninas que estavam nos GTs é que a proposta de trabalho não foi imposta pela organização. Cada coordenador pôde usar o roteiro semi-estruturado, mas pôde adequá-lo ao seu espaço.

Adaptamos as discussões para conversas com exemplos do que eram medidas sócio-educativas...Tranquilamente...sem ter a pressão de chegar a um objetivo determinado. E só por não termos essa pressão (nosso grupo) os meninos ficaram a vontade para participar mais...e a conversa fluiu melhor.

Quem bom que gostou desse espaço de troca. Aqui podemos também expor as nossas descobertas. O que a gente achava que era de um jeito e agora vemos que pode ser de outro... As nossas falhas, querida, podem ser muito importantes para nós e para outros. É importante podermos olhar para aquelas poeiras que deixamos embaixo do tapete. Ter a humildade de compartilhar essa poerinha é lindo. Aproveite esse espaço pra isso também!
[tem uma poesia linda do fernando pessoa sobre isso..]

Adorei seus comentários. Obrigada.
Um beijo
Renata

formas de participação

Oi Dani,
Estou lendo tudo o que você comentou e estou pensando uma coisa.
Será que o que você traz em sua fala e o que Renata tbm traz não tem a ver com o que "participação" significa para cada um?

Para muitos, pixar é participar.
Para outros, estar presente é participar.
Alguns acreditam que participar é contribuir com as discussões que estão sendo feitas...
E alguns tbm participam não fazendo nada...
Louco isso, não?

Sabe, as pessoas estão em estágios, saberes e tempos diferentes de participação.
E digo mais, participação tem vários significados para cada um de nós, pois trazemos experiências diversas... e sinto que ela vai passando por estágios..

São realidades, culturas, histórias, especificidades e diversidades múltiplas e isso tbm interfere na minha leitura de participação e no como lido com ela e o que faço com os espaços que nos é dado, oportunizado.

Não dá para passarmos uma peneira no que é participação “certa"ou “errada” e a partir daí dizermos: olha, tem gente que está em espaços de conferencia estadual, regional, nacional, que tbm não sabe o que está fazendo e muito menos o que significa este espaço que estão ocupando.

Sei também que para muitos que estavam na Conferência ir para Brasília era um sonho... E isso não quer dizer não desenvolvem um "puta" trabalho em suas comunidades e que não sabiam o que estavam fazendo ali.
Não sei se consegui explicar direito o que estou pensando, mas o desejo é fomentar o debate..

Bj
Ieda

Mais uma linha na discussão...

Olá;
Sou Leticia, adolescente, participativa, atuante e acima de tudo, uma pessoa que busca por maiores espaços para adolescentes...

Comecei a minha atuaçao em um grupo de adolescentes da minha cidade em que havia uma grande discussao sobre como que nós, adolescentes, poderiamos modificar a nossa realidade e buscar por melhorias sejam elas na pólítica pública, na escola ou na cidade.

Entratanto, o que percebi, senti e vivenciei é o adolescente crítico e propositivo incomoda algumas pessoas. Entao comecei a me questionar.. Por que adolescentes incomodam? Será que a idade significa alguma coisa?

Com o tempo fui percebendo que as vezes este sentimento pode acontecer devido ao fato de adolescentes podem se unir com grande facilidade e, se existir um espaço para que eles possam discutir e aprender, entrelaçando adolescentes e adultos, os resultados sao muito mais eficazes.

Entretanto, ainda existe o esteriótipo de que o adulto é quem detem o poder, quem manda e quem tem a palavra final. Mas esta palavra final não pode ser o resultado de uma discussao e de um processo de aprendizado entre várias geraçoes?

Vou ainda na discussao da Ieda... O que é protagonismo juvenil?
Como denominar a uniao legitimada entre adolescentes, jovens e adultos possam discutir, trabalhar e visar melhorias para todos respeitando acima de tudo as especificidades (tempo, experiencia, conhecimento, habilidade) de cada um?

O que fazer para que isto realmente aconteça?
Alias... o que NÒS fazemos para que esta distancia seja minimizada?

Bom, é isto que me veio a cabeça ao ler a discussao de voces... Creio que é com espaços assim que as trocas de experiencias vao acontecendo e as mudanças vao surgindo...

Vamos buscar a participaçao de outras pessoas aqui! Um tema como este nao pode ficar sendo discutido com poucas pessoas... Creio que é (ou deveria ser) interesse de todos discutir este tema!

Beijos

Olá Renata, bom etse

Olá Renata, bom etse espaço de troca de idéias...

Jogar cordas...

Me faz pensar também naquela cena de fundo do poço quando vc lança a corda para que segurem firme e tenham possibilidade de sair de um "buraco escuro"..

Corda tbm me traz alegrias, pois, quando criança adorava brincar de pular cordas e acho que isto não deve se perder em nossas ações e iniciativas. O prazer da diversão, da brincadeira, da alegria de se fazer as coisas, pois cotidianamente a gente entra numa loucura, numa "fazeção", numa agitação... numa corrida contra o tempo...

Tropeço..

tropeço me lembra obstáculos e tbm me faz pensar que há alguma tentativa de caminhar... E é bem o que a gente vem fazendo.. tentando caminhar, inventando formas de vencer obstáculos que estão postos.

A juventude está organizada em grupos, em movimentos, em diversos espaços e estão retirando "pedras do caminho" se percebendo responsável por manter ou mudar esse cenário no qual estamos inseridos. Seja como for, ainda há muito o que ser feito, mas também há muitas pessoas fazendo e acontecendo em seus espaços e comunidades..

Penso que um desafio que esta juventude tem que "vencer" é o preconceito que se tem por parte de muitos adultos em enxergar o jovem e legitima-los como respónsáveis, parceiros, construtores de um novo tempo.. parece cliche de comercial, mas não é... rsrsrsrs.

Bj
ieda
Mococa

corda que amarra e corda que liberta

Pois é Ieda,

Temos as cordas que amarram, as cordas que resgatam!
Temos as luzes e as sombras! De alguma forma caminham juntas.
Pensei em tropeço como uma coisa natural e saudável, como reconhecer um erro, uma atitude não acertada! Como uma auto-crítica...tirada de preconceitos...capacidade de se surpreender.

Do que você me fala, me faz lembrar das minhas participações como adolescente (que faz algum tempo, mas não muito).

Sinto que o empoderamento que me davam (tentavam dar) era falso. Participava de alguns projetos elaborados e geridos por adultos, feitos exatamente para nos empoderar, pra gente se sentir parte e atuante. A maioria deles mais desestimulava.
Me sentia numa simulação em que criavam um cenário e te colocavam lá pra você atuar: Eles fingiam que a gente fazia a diferença e a gente fingia que acreditava.

Só depois algumas situações/observações/reflexões me levaram a refletir sobre o mundo em que vivia e que mundo eu queria. Aí sim, com um grupo de jovens (alguns mais velhos e muito inspiradores) a gente fez algumas intervenções...poucas...com leve impacto, mas foi sem dúvida a primeiro momento legítimo, em que nós não só nos sentimos empoderados...mas nós nos demos conta que tínhamos poder.

Ah...era engraçado ver aqueles adultos que olhavam pra gente com admiração: "eles são meus produtos, eu dei poder pra eles"..hehehe...
Acho que eles não entendiam a diferença de ser parceiro; botar a mão na massa junto, de igual para igual, e de professor, daqueles arcaicos...

Olá Renata querida, Vc me

Olá Renata querida,

Vc me faz pensar nessa moda do "protagonismo juvenil", "seres iluminados por Deus e bonitos por natureza, que vieram para este mundo para salvar todos aqueles que necessitam, que são pobres, que não sabem, que não estudam, que não tem acesso a educação e que estão condenados a "dar errado na vida"".

E daí começo a pensar tbm no que seria este dar certo. Dar certo para quem? Outro blog só para isso...

Há anos que estamos querendo tirar esse "protagonismo juvenil" de cena e ainda sem saber a quem e ao que vamos dar lugar, qual é a palavra que etmologicamente vai substituir esse discurso de protagonismo juvenil.

Também não sei se deve haver substituição ou se não se trata unicamente de reconhecimento de discursos e de práticas que estão sendo adotadas. O fato é que protagonismo já não me representa mais..

Ao meu ver, esses seres "salvadores da pátria" que estão atuando para salvar os outros não conseguem ainda perceber (ao meu ver) que o caminho não é o individual e não é trabalhando para que um faça pelo outro que se acredita não saber fazer.
É um caminho contrário onde cria-se espaço para que as pessoas consigam/ possam ter consciência e clareza da importância de participar das tomadas de deicões dos espaço onde estão inseridos.
Chamar todas e todos para pensarmos o que deve ser feito em suas comunidades, pensar com eles, facilitar essa conversa e não agir por eles... fazer o que NÓS achamos que é certo e sim permitir que a partir do que eles reconhecem como necessidade, pensar junto, criar estratégias para resolução de seus problemas e para melhoira da qualidade de vida de suas comunidades...

Com adolescente é sempre assim. Tá cheio de adulto pensando por eles, fazendo por eles e isso porque não se tem o costume de chamar adoelscentes e jovens para participar das tomadas de decisões. Onde é que a gente aprende a participar das coisas que nos dizem respeito?
Até mesmo atuando em grêmios vc tem que passar pelo crivo, muitas vezes, da diretora que limita as ações em rifas, festas e atividades beneficentes para arrecadar verba para a própria escola.

O portagonismo juvenil é individual, é alguém fazendo por um outro alguém que se reconhece superior a ele, iluminado, "fantástico.

Nosso caminho tem sido o coletivo, a parceria entre adoelscentes, jovens e educadores com mesmos direitos e reposnsabilidades, onde todos pensam, participam, constroem, executam e avaliam as atividades, ações e iniciativas realizadas.
É um espaço horizontal onde os saberes são compartilhados e onde há também o espaço para se dizer, não sei..

Não é mais o adulto pensando para o adoelscente executar como forma de dizer "olha, eu trabalho com adolescentes, olha como eles sabem"... Fica naquela coisa que Antonio Carlos Gomes da Costa traz sobre os "vasos decorativos" utilizados em algumas iniciativas como forma de ilustrar a presença de jovens.

Muitas vezes me irrito em participar de alguma coisa que dizem que é para jovem participar e poder falar e percebo que foi só um auê e que eu perdi o meu tempo no sentido de que estão mais querendo tirar uma foto da juventude presente que ouvir o que temos para dizer.
O pior ainda quando falamos, discutismo, propomos coisas e percebemos que nada é feito. Tudo vai para uma gaveta, para algum lugar bem longe de onde deveria ir.

O que vc pensa sobre o portagonismo juvenil?

Um bj

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